Economia Publicado em 23/11/2025 12:17 132 leituras totais 129 acessos únicos

Transição energética é oportunidade histórica para países do Sul Global, aponta FAPESP

Por Fernanda Alves Fernanda Alves 2 comentários

A transição para uma economia de baixo carbono não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma oportunidade econômica sem precedentes para o chamado Sul Global. É o que conclui um novo relatório divulgado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O documento destaca que países da América Latina, África e Ásia concentram a maior parte dos recursos essenciais para a nova era energética: lítio, cobalto, terras raras, além de um potencial gigantesco para energia solar e eólica. "Pela primeira vez na história industrial, a vantagem comparativa está do nosso lado. O Norte tem a tecnologia, mas nós temos a energia e a matéria-prima", afirma o estudo.

Industrialização Verde

O desafio, segundo os pesquisadores, é evitar a "maldição dos recursos naturais". Em vez de apenas exportar minérios brutos e hidrogênio verde, os países do Sul devem usar essa vantagem para atrair indústrias e agregar valor localmente. A produção de baterias, painéis solares e aço verde deve ser feita onde a energia é limpa e barata, ou seja, aqui.

Leia o estudo completo na Agência FAPESP

Fonte: FAPESP

Opinião dos colunistas

Sofia Almeida Sofia Almeida Política
25/11/2025 10:00

O relatório da FAPESP acerta em cheio. Estamos diante de uma janela histórica de realinhamento de poder. A Europa e os EUA estão desesperados por energia limpa e minerais críticos. O Brasil e seus vizinhos têm a faca e o queijo na mão.

Mas precisamos ser espertos. Não podemos aceitar acordos comerciais que perpetuem o modelo colonial de "nós vendemos pedra e compramos celular". A diplomacia brasileira deve ser agressiva: quer nosso lítio? Traga a fábrica de carros elétricos. Quer nosso hidrogênio? Transfira a tecnologia de eletrólise. É hora de negociar de igual para igual.

Helena Gomes Helena Gomes Economia
25/11/2025 10:30

O mercado financeiro já entendeu isso. O custo de capital para projetos "sujos" está subindo, enquanto o dinheiro para projetos verdes flui com mais facilidade. O Brasil tem a matriz elétrica mais limpa entre as grandes economias. Isso é um diferencial competitivo absurdo.

Empresas globais que precisam cumprir metas de descarbonização vão olhar para o Brasil não por caridade, mas por cálculo econômico. Produzir aqui reduz a pegada de carbono do produto final. Temos que facilitar esse investimento, garantir segurança jurídica e deixar o mercado fazer o resto. O "nearshoring" verde é a nossa chance de reindustrializar o país.

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